Disciplina - Ensino Religioso

Ensino Religioso

07/08/2013

Conheça o pastafarianismo e outras religiões curiosas

Quando um tribunal da República Tcheca deu permissão para que Lukas Novy usasse um escorredor de macarrão na cabeça nas fotografias de seus documentos oficiais, muitos perceberam ser ignorantes a respeito do motivo que ele alegava para a excentricidade: o culto conhecido como "pastafarianismo".

O culto, que recomenda o uso do escorredor ─ provavelmente em honra a seu deus, o Monstro de Espaguete Voador (Flying Spaghetti Monster, ou FSM, na sigla em inglês), uma espécie de bola gigante de espaguete com almôndegas ─, não costuma ser levado a sério pelos meios de comunicação.

Em seu site oficial, a Igreja do monstro diz que o "FSM é real, totalmente legítimo e respaldado por ciência pura".

"Qualquer coisa que pareça humor ou sátira é uma mera coincidência", afirma a página.

A nota de introdução explica ainda que "alguns pastafaris creem realmente no FSM", e faz uma ressalva: "a sátira é uma base honesta e legítima para a religião".

A Justiça tcheca parece concordar com a afirmação, já que determinou, na sexta-feira passada, que o uso do escorredor nas fotos de documentos "se ajusta às leis da República Tcheca no que corresponde ao uso permitido de acessórios na cabeça por razões médicas ou religiosas".

Mas os pastafaris não são os únicos, nem os últimos, a criarem para si um culto alternativo às religiões tradicionais, com maior ou menor grau de aceitação e credibilidade.

Conheça alguns deles:


  • Jedismo e outra inspiradas em filmes e TV
É uma religião baseada nas ideias da série Guerra nas Estrelas. Não há um fundador ou estrutura central, mas tem uma base relativamente grande de seguidores declarados - apareceu como a crença alternativa mais importante em censos de vários países europeus a partir de 2001.

No censo de 2001, 0,7% dos britânicos e 1,5% dos neozelandenses disseram seguir a "força", colocando o Jedismo em sexto lugar no censo desses países.

É claro que esses resultados foram precedidos por uma campanha liderada por jedistas, e acredita-se que muitos que professam a religião o fazem apenas para ofender o governo ou protestar contra a inclusão de uma questão religiosa no censo.

Existem várias "Igrejas do Jedismo" no mundo e sua base comum é o "código jedi". Alguns descrevem a crença como uma mistura de taoismo e budismo, enquanto outros dizem ser apenas um grupo de fãs radicais da história de ficção científica.

Uma outra religião inspirada em séries ou personagens de filme ou de televisão é o woodismo, em homenagem ao diretor de cinema Ed Woods.

  • Sociedade Etérea e outras ligadas a extraterrestres
O número de religiões e cultos ligados à existência de alienígenas ou à vida em outros planetas é relativamente alta.

Talvez a crença mais famosa seja a Cientologia, que fala de Xenu, um ditador da "Confederação Intergaláctica" que trouxe milhões de seres para a Terra e os exterminou. Alguns líderes da Cientologia dizem que a insistência em associar o culto à figura de Xenu é uma estratégia negativa de promoção da religião.

Mas há outros que não se importam de ser associados à crença de que existe vida em outros planetas. O Raelismo, por exemplo, criado pelos francês Claude Rael-Vorilhons – Rael, como é conhecido - tem sido comparado à Cientologia.

Rael afirma que os alienígenas o levaram para um outro planeta, onde entrou em contato com Jesus, Maomé e outras grandes figuras das religiões estabelecidas.

Segundo Rael, eles disseram que a humanidade foi criada em um laboratório extraterrestre há 25 mil anos atrás, que os alienígenas vão aparecer em Israel em 2025, e que ele deve transmitir uma mensagem de "meditação sensual" ao planeta.

A Cientologia também foi comparada à Sociedade Etérea. Seu criador é George King, um ex- taxista de Londres, entusiasta da ioga, que afirma que Jesus, Krishna e Buda eram extraterrestres.

King diz também que foi escolhido para ser a voz de um "parlamento interplanetário".

  • Happy Science (Ciência da Felicidade)
É definido como um movimento religioso, criado no Japão por Ryuho Okawa, e reconhecido oficialmente em 1991.

Okawa afirma ser a reencarnação de um supremo espiritual chamado El Cantare, suposto nome real de várias figuras-chave nas crenças cristãs, muçulmanas, budistas e confucionistas. Okawa diz também estar em conexão direta com os guardiões religiosos de grandes figuras políticas com quem detém entrevistas, que em seguida são publicadas.

Uma das mais recentes foi uma conversa que ele disse ter tido com a ex-primiê britânica, Margaret Thatcher, apenas 19 horas após sua morte.

A igreja entrou na arena política com a criação de um partido "para a realização da felicidade", mas aparentemente ainda não se afirmou nesse campo.

Mas enquanto a Igreja da Ciência da Felicidade espera aumentar a população do Japão - em parte para impedir uma invasão da Coreia do Norte - a Igreja da Eutanásia, criada pelo reverendo Chris Korda, nos Estados Unidos, quer destacar o insustentável crescimento da população global.

De acordo com seu site, que inclui um contador da população, o seu lema é "não procrearás" e seus quatro pilares são o suicídio, aborto, canibalismo e sodomia ("qualquer ato sexual não destinado à procriação"). Supostamente é uma provocação para inflamar os ativistas que defendem a vida.

  • O Movimento do Príncipe Felipe
É o culto de uma tribo da Oceania ao príncipe Felipe, marido da Rainha Elizabeth da Inglaterra.

O povo indígena Yaohnanen, das ilhas Vanuatu, acredita que o príncipe Felipe é um ser divino, a encarnação de uma figura de pele branca, filha de um espírito da montanha, que se aventura no mar para se casar com uma mulher poderosa.

Bastou uma visita de Felipe às ilhas em 1974, para que a crença fosse confirmada. Assim nasceu uma religião.

  • Apateísmo
O apateísmo é definido mais como uma posição filosófica ou teológica, que difere do ateísmo, pois acredita-se que um deus possa existir, mas sua existência não é a questão central e mais importante.

Existem várias correntes proeminentes, incluindo aquelas sem uma motivação religiosa, que são completamente indiferentes, e que adotam uma abordagem mais científica, se aproveitando do argumento de que não há nenhuma evidência sobre a existência de um ou vários deuses.

O escritor americano Jonathan Rauch descreveu o apateísmo como "uma aversão à importância que alguém dá a sua própria religião, e uma aversão ainda maior à importância que se dá à religião dos outros".
Esta notícia foi publicada no site BBC Brasil em 06 de Agosto de 2013. Todas as informações nela contidas são de responsabilidade do autor.
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