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03/07/2008

Livro dos Salmos: oração e poesia

Mônica Baptista
O Livro dos Salmos  faz parte dos escritos Sapienciais da Bíblia, embora além de sabedoria, contenha história e profecia. É difícil saber realmente quando foram escritos este ou aquele salmo, alguns salmos são bem antigos, datam de aproximadamente 1010 a.C, outros dos anos 170 a.C. A formação foi de aproximadamente mil anos.
O Livro dos Salmos oferece modelos para oração, principalmente quando a pessoa já não sabe como orar. Revela-se então como um apoio, uma ajuda nos momentos difíceis da caminhada. No tempo de Jesus, todos os salmos eram atribuídos ao rei Davi, pois depois do exílio, Davi era considerado um ideal a ser imitado. A Bíblia Hebraica atribui a Davi 73 salmos, 12 a Asaf, 11 aos filhos de Core, 2 a Salomão e 1 a Moisés, Ernã e  Etâ. Outros são do povo, anônimos.
Os salmos surgiram para compor as romarias, as festas do povo. Foram aparecendo em várias coleções que depois foram reunidas e remanejadas para uma coleção (unidade) maior. São vários os autores e isto pode ser percebido pelas repetições existentes no livro, exemplo: Sl 108, 2-6 é igual ao Sl 57, 8-12. Provavelmente eram de coleções diferentes.
O Livro dos Salmos teve algumas funções importantes na vida do povo de Deus. Através dele se conservava a memória, educava-se o povo trazendo para o momento presente a mensagem dos profetas, ajudava a manter e fortalecer a fé, a esperança e o amor. Também cobrava o compromisso de fidelidade e promovia  a abertura para o contato direto com Deus.
Existe diferença na numeração dos Salmos em Bíblias. Isto se dá devido a tradução "dos Setenta", quando então traduziram a  Bíblia hebraica para o grego, por volta do ano 250 a.C. Nesta fase, o Livro dos Salmos ainda estava em formação. Duas hipóteses são consideradas: ou o tradutor quando chegou ao salmo 10, pensou que fosse continuação do 9 e traduziu como se fosse a segunda parte ou algum copista errou ao transcrever, e na metade do salmo 9 considerou que fosse o começo de um novo.
Os Salmos refletem muito mais poesia do que razão e intelecto, sendo a poesia   expressão do diálogo com Deus, combinação perfeita entre inspiração e escrito literário. O poeta transmite através do salmo um conteúdo de experiências,  não apenas o sentido formal das palavras. Existe a relação criada pelo poeta entre as palavras, que leva o leitor a um "espaço interior", provoca um momento de silêncio, de contato íntimo, gerando um novo sentido para as palavras.
Há nos salmos uma violência tão real quanto a violência que existe hoje, e tanto as palavras pacíficas quanto as frases violentas são palavras de Deus e tem sua validade. Mesmo nos salmos agressivos, a justiça não é feita com as próprias mãos, mas é entregue a Deus. Também não se pode tomar ao pé da letra as expressões da Bíblia. No Sl 138,9, se pede para que os nenês sejam esmagados contra a rocha, mas isso não significa que queiram a morte de crianças, "mas que o sistema injusto  da Babilônia não se reproduza; que no futuro já não haja quem sustente o sistema opressor; que a injustiça morra com aqueles que hoje a sustentam", diz Frei Carlos Mesters, no livro O Rio Dos Salmos das Nascentes ao Mar.
Às vezes, a violência dos salmos pode incomodar e convém ao leitor uma análise sincera para saber se o incômodo advém do respeito ao evangelho - amai vossos inimigos - ou de uma aceitação do sistema dominante, que se sente incomodado quando alguém quer mudá-lo.
Os salmos nasceram da vontade do povo de ser fiel ao projeto de Deus. Nasceram porque na caminhada há conflitos, problemas, lutas. O caminho se faz caminhando, os salmos são orações  em que o orante se coloca do jeito que é, sincera e humildemente.
Acessado em 03/07/2008 no sítio do SRZD. Todas as modificações posteriores são de responsabilidade do autor original da matéria.
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